"O direito é criado pelo homem, é um produto tipicamente humano, um artifício sem entidade corporal, mas nem por isso menos real que as máquinas e os edifícios." - Gregorio Robles

17/10/2020

Grana na cueca. E ainda essa tal democracia.

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Ah, Chico Rodrigues, pego pela Polícia Federal com dinheiro na cueca (correm versões mais picantes, fiquemos com o eufemismo). O vice-líder no Senado do governo Bolsonaro, que teria acabado com a corrupção. Tá certo. Barroso, ad referendum, afastou o senador, que já é visto como morto político

Chico Rodrigues tem todo o direito à ampla defesa e ao contraditório, como convém a um Estado dito Democrático e Social de Direito. Tudo dentro do devido rito. Mas há coisas indefensáveis. Esconder dinheiro nas roupas íntimas, por exemplo. Por que diabos alguém com consciência tranquila se daria ao trabalho de escamotear valores à busca policial? Algo não cheira bem. Sobretudo a depender da cueca do senador.

A política brasileira é pródiga em episódios anedóticos. Sempre foi assim, digamos, há... 500 anos? O que não quer dizer que seja positivo. É o rir para não enlouquecer, diria Voltaire. Ridendo castigat mores. E enquanto isso os picaretas vão se locupletando, lobbies sendo feitos, a boiada vai passando e assim por diante. Tudo em benefício do andar de cima. Necas para a escumalha cá embaixo.

Chico Rodrigues e quejandos não caíram de paraquedas no parlamento. Foram eleitos em disputas com outros candidatos. Isso é profundamente dramático — o povo parece sofrer de uma crônica incapacidade de escolha. Muita coisa influi nisso, como o formato eleitoral (privilegiando campanhas com mais visibilidade e recursos), a deficiência cultural e educacional (que é em verdade um projeto deliberado, como denunciou Darcy Ribeiro), o déficit civilizatório da sociedade brasileira etc. Contudo baterei sempre na tecla: é melhor o povo escolher mal do que não poder escolher. Ainda este mês postei um comentário sobre a democracia. É melhor uma democracia defeituosa do que democracia nenhuma. É por isso que, também aqui no blog, tempos atrás fiz uma crítica aos excessos do Judiciário em matéria eleitoral. A minha tese é a de que o juiz eleitoral tem que controlar a gana de querer escolher em nome do eleitor. Deve prevalecer o voto, não a canetada

Muita calma nessa hora, portanto, ainda que o desespero bata às vezes. Rir para não enlouquecer. Dito isso, sigamos otimistas. Em mais 500 anos melhora, talvez? Haja cueca até lá.

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