"O direito é criado pelo homem, é um produto tipicamente humano, um artifício sem entidade corporal, mas nem por isso menos real que as máquinas e os edifícios." - Gregorio Robles

14/10/2020

Sobre protecionismo (ou de lacaios e puxa-sacos)

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O governo estadunidense pesou a mão na taxação de alumínio, o que deve inviabilizar as exportações dos produtos brasileiros. O governo brasileiro, em contrapartida, é uma mãe: por exemplo dá tarifa zero para importar milhões de litros de etanol dos EUA, em detrimento do setor usineiro brasileiro. "Brasil acima de tudo", pois sim.

A essa altura do campeonato já é de curial sabença: o governo Bolsonaro é de uma submissão aos interesses norte-americanos que chega às raias do caricato. Coisa de serviçal mesmo, de lacaio. Isso é uma pena porque, em que pesem todas as críticas, na época do PT o Brasil era um ator global relevante. Os esforços para o fortalecimento dos BRICs (hoje esvaziado) e para a integração sul-americana são exemplos. É fundamental fomentar um mundo multipolar, onde os diversos agentes possam colaborar e competir entre si. É melhor para todos, ao contrário de uma realidade mundial onde Washington é o poder todo-poderoso. Compartilho com prazer o vídeo abaixo, ainda que, como dito, não abra mão das críticas que devam ser feitas ao PT:


Vejam a cara de Bush. Impagável.

O bolsonarismo tem um norte (com trocadilho) totalmente oposto. Aqui já é o campo do alinhamento automático. Trump mandou tá mandado. Foi por isso que o Brasil, que não tinha nada a ver com a história, reteve navios iranianos em julho do ano passado. Ordens de Trump, afinal. Pelo mesmo motivo quase se envolveu com uma refrega militar com a vizinha Venezuela. E quer abrir embaixada em Jerusalém. Sempre um servilismo rebaixado. Não há a menor contrapartida: ninguém respeita puxa-sacos. O chanceler é o terraplanista delirante Ernesto Araújo. Que república, meu Deus.

Outra coisa interessante. A direita "liberal" enche a boca para exigir o Estado mínimo. O credo deles é o da infalibilidade do mercado, "mão invisível" e outras mitologias que não ficam a dever ao boitatá. Mas ao menor sinal de fumaça, bingo!, lá vem o papai Estado salvar o empresariado endividado. E tome tarifas, barreiras alfandegárias, subsídios etc. Quando o setor financeiro quebrou nos anos 2000 Obama precisou ajudar a tchurma. O Estado mínimo deles é apenas na saúde, na educação, na moradia. Quando se trata dos seus próprios interesses, o capitalista quer Estado máximo, obrigado.

Final do mês é o Dia das Bruxas. Duas lendas fantasmagóricas aqui, mais furadas que as da carochinha: o patriotismo do governo Bolsonaro e capitalismo sem Estado atuante. Pano rápido.

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