"O direito é criado pelo homem, é um produto tipicamente humano, um artifício sem entidade corporal, mas nem por isso menos real que as máquinas e os edifícios." - Gregorio Robles

03/10/2020

Trump corongado. Não adiantou a retórica populista.

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Eu sei, a nossa formação cristã desaprova que desejemos mal aos outros. Os piedosos carolas, muitas vezes verdadeiros sepulcros caiados, não gostam que falemos "bem feito" diante da desdita alheia. A questão é que tem gente que merece e muito e, não tendo pretensão à santidade, não me furto a apontar a justiça poética que a vida cotidianamente nos apresenta.

Trump está corongado, por exemplo. Uma das maiores vozes do negacionismo mundial vítima, enfim, do "vírus chinês", como gostava de dizer, provocação racista e sem-vergonha contra o adversário geopolítico. A doença não é seletiva — afeta majoritariamente os mais pobres do mundo, é evidente, mas também faz seus alvos no establishment político e econômico. O bilionário Trump é um exemplo. Do que adiantou tanta recusa da ciência, tanta propaganda da cloroquina e todo o desvario terraplanista de extrema-direita? A vida é imune à retórica populista. Bolsonaro no Brasil foi pelo mesmo caminho, fanboy de Trump que é. Já fiz minhas considerações sobre a pandemia aqui no blog.

Há quem diga que a doença de Trump é uma farsa. Falam o mesmo do episódio da facada de Bolsonaro, no caso então "fakeada". Não chego a tanto, mas naturalmente não ponho a mão no fogo. Historicamente a política é arena de diversionismo, complôs, tramoias e farsas, e os governos populistas de direita, como o trump-bolsonarismo (ou bolso-trumpismo, escolham como soar melhor) são pródigos em recorrer à guerra de narrativa e à pós-verdade. Bolsonaro desde o início fez da mentira uma forma de governar. Nesse sentido, é possível que os Republicanos utilizem o discurso da suposta contaminação como uma forma de capitalizar eleitoralmente — permitindo que Trump fuja dos debates e fazendo dele uma vítima com o consequente angariamento de simpatias. Exatamente como aconteceu com a facada de Bolsonaro.

Talvez nunca venhamos a saber. O que sabemos é que o mundo já passou da marca de 1 milhão de óbitos por covid. Todos nós temos algum parente ou amigo, ou no mínimo um conhecido, vitimado pela doença. Governantes como Trump e Bolsonaro, com seu discurso negacionista (lembram da "gripezinha"?), têm uma enorme responsabilidade por isso. E a vida cobra.

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