"O direito é criado pelo homem, é um produto tipicamente humano, um artifício sem entidade corporal, mas nem por isso menos real que as máquinas e os edifícios." - Gregorio Robles

07/01/2021

A invasão dos trumpistas e a recusa da modernidade

trump biden capitólio fascismo umberto eco política eua

A autodeclarada maior democracia do mundo vítima de uma tentativa de golpe de Estado. Todos já estão por dentro da invasão do Capitólio — o Congresso estadunidense — durante a sessão que validaria a vitória de Joe Biden nas urnas e me reporto a este link, que traz maiores detalhes. A culpa é de Trump, evidentemente. Desde o início, antes do pleito, aliás, esse senhor colocou em descrédito as instituições e a mídia do país. Recusou-se a aceitar a derrota eleitoral (falamos aqui no blog, lembram?) e tem açulado seus aloprados apoiadores. A fina flor da extrema-direita, claro. "Cidadãos de bem", KKK e fanboys dos confederados escravagistas. Armados, truculentos e perigosos.

Vamos lá: é evidente que o institucionalismo liberal-burguês, e por isso me refiro ao aparato egresso das Luzes do séc. XVIII, é defeituoso e, nessa altura do campeonato, mais furado que peneira. Muitas coisas sequer chegaram a se concretizar no plano da eficácia (direitos humanos são verdadeiros luxos em muitos cantos do planeta) e ficaram no campo da formalidade (democracia "formal", liberdades "formais", quando o que precisamos é da materialidade). É por isso, e este séc. XXI já adentrado em anos prova, que precisamos superar esse paradigma e avançar para uma sociedade qualitativamente superior. Chamo essa nova sociedade de socialismo, mas o nome que seja dado é válido — a sociedade do futuro onde haja o controle social dos meios de produção com o consequente retorno social dos frutos da produção, efetivando-se os direitos fundamentais e eliminando-se a exploração do homem pelo homem. Não considero isso utopia, mas também é indiferente se usarem o termo: como quer que seja, se trata de progredir.

Percebem então o xis da questão? Queremos seguir em frente. Já os trumpistas (e os bolsonaristas no Brasil, naturalmente) querem voltar atrás a roda da História. São contra o progresso. Contra a ciência, vide a forma como Trump e Bolsonaro lidaram com a pandemia. Obscurantistas. Terraplanistas. Contra a imprensa livre — tudo que é de seu desagrado é "fake news", não é? Truculentos e avessos ao debate. Bolsonaro fugiu dos seus em 2018 e Trump se comportou como um valentão intimidador no primeiro debate. Ambos, Bolsonaro e Trump, têm a lógica do "nós contra eles".

Sabem quem é exatamente assim? Os fascistas. Isso.

Umberto Eco tem um texto primoroso sobre o que chama de "fascismo eterno", isto é, as configurações arquetípicas dessa chaga da humanidade. Todos deveriam lê-lo sobretudo nestes tempos. O link é este. Lá é dito que "a rejeição do espírito de 1789" — ou seja, a Revolução Francesa — é um dos traços do irracionalismo fascista, tradicionalista, isto é, avesso à modernidade. Essa turma quer da Idade Média para trás. Felizmente estão sendo derrotados, do que são prova a defenestração de Trump e o fracasso dos candidatos bolsonaristas no pleito municipal de 2020. Que o passado fique no passado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário