"O direito é criado pelo homem, é um produto tipicamente humano, um artifício sem entidade corporal, mas nem por isso menos real que as máquinas e os edifícios." - Gregorio Robles

07/02/2021

Rebaixamentos, várzea e futebol capetalista

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Sou tricolor mas gostaria de tecer um comentário acerca do rebaixamento do Botafogo, a terceira do clube alvinegro. Já falamos no blog que futebol é um fator da vida social. Portanto também aqui podemos extrair lições e pensar em termos maiores.

A "visão" (entre aspas porque é mais miopia do que qualquer coisa) empresarial tem destruído o esporte. O grande capital elege meia dúzia de clubes para patrocinar e o resto, independentemente de tradição ou história, fica à penúria. Isso explica o grande disparate nas cotas etc. Dando nome aos bois, o Flamengo é o que é por um processo natural ou por ser fruto de um projeto meticulosamente construído? Se é martelado dia e noite na cabeça das pessoas que o clube tal é o mais popular, ora, esse clube será popular. Isso vale até para avaliações de presidentes da República. Alguém acredita que os governos petistas poderiam resistir por muito tempo ao terrorismo midiático despejado rotineiramente pela Rede Globo? Hoje em dia são os disparos de zap. O modus operandi é o mesmo: uma mentira contada mil vezes se torna uma verdade, não é essa a frase?

Pois bem. Os patrocinadores decidem que 4, 5, 6 clubes "grandes" é muito para um Estado. É preciso equacionar as coisas para que haja "um" representante, "o" time da região tal. E investe-se nesse time. Rios de dinheiro. A mídia também: todo espaço e atenção para "o" time. Os demais? Figurantes. 

Entendem? Há algo muito iníquo no tratamento dado aos clubes brasileiros pelo empresariado e pela mídia. Fica uma coisa meio "segredo de tostines": o clube tal recebe mais dinheiro e tempo na mídia porque é mais popular. Contudo — será que não é mais popular justamente porque recebe mais dinheiro e tempo na mídia? O que veio primeiro, o ovo ou a galinha?

Pobre Botafogo. Penso em outros grandes cariocas, America e Bangu, hoje pelas várzeas. Doses cavalares de má gestão e capetalismo — capetalismo, esse sistema econômico é coisa do capeta — são fatais. Quiçá um dia se recuperem. Meu Fluzão já andou pela Série C mas hoje cá estamos, disputando um lugar na fase de grupos da Libertadores.

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